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Notes
"E quando eu finalmente te esquecer… você vai me ligar. Vai dizer que sente a minha falta e que me quer de volta, eu vou olhar pra sua cara, vou pensar um pouco em todas as vezes que eu passei noites em claro chorando por você. Vou pensar no que você fez comigo e me perguntar mil e uma vezes se eu queria passar por aquilo tudo de novo. Não, não queria. Apesar de uma pontinha de mim querer se jogar nos teus braços e fingir que nada aconteceu, eu sabia que não poderia ser tão estúpida a ponto de fazer tudo de novo. Vou dizer que não tô afim e você vai me perguntar o porquê, vou dizer que não te amo mais sem me importar se você vai ficar triste ou não. Você vai me olhar com cara de quem não entendeu, ou de quem não acredita e eu vou virar as costas e ir embora.
Outro dia você vai me ver em uma festa, qualquer festa, dançando com um cara e me divertindo a beça. Vai se perguntar porquê diabos deixou uma garota como aquela escapar. Você vai me chamar pra conversar, e pedir licença para o cara com quem eu estava. Eu ficaria nervosa por você ter interrompido minha música, e então você diria que eu fico linda com raiva. Eu riria de você e perguntaria porquê estava fazendo aquilo. Você me olharia com o sorriso mais lindo do mundo e diria “Você sabe muito bem o porquê”, eu diria pra não começar, sorriria e voltaria pro meu acompanhante.
Depois, a gente ainda se encontraria na padaria… Você ainda de pijama e de chinelos, lendo os classificados, e eu de moletom, pronta pra ir dar uma caminhada no parque. Eu pediria um café e perguntaria se poderia me sentar, já que aquela era a única mesa disponível. Você ficaria espantado, abriria um largo sorriso e diria que sim. Nós conversaríamos sobre cada coisa besta, e eu me lembraria de como é bom conversar com você; e de como eu me sentia bem quando conversava com você. Você se ofereceria pra fazer caminhada comigo, e eu, relutante como sempre, diria que não. Você me perguntaria porquê eu era tão teimosa e depois me convenceria a deixar você ir. E eu tinha que admitir pra mim mesma que você ainda causava um efeito tremendo sobre mim. Você me acompanharia na corrida, e depois, pararíamos pra comer algodão doce. Passaríamos na frente de uma livraria e você pediria pra entrar, eu aceitaria, sendo viciada em livros como sou… Discutiríamos sobre autores, poemas e livros diversos… E depois de horas e horas tentando escolher o melhor livro, eu levaria aquele que você me indicou. Você pegaria uma caneta e escreveria algo na capa no livro, algo que, segundo você, eu só poderia ler quando estivesse em casa.
Passaríamos o resto do dia juntos. Iríamos ao cinema até… Tudo porque eu tinha comentado que meu filme preferido voltaria em cartaz. Você, que já tinha assistido o mesmo filme comigo diversas vezes no sofá de casa, sugeriria que fôssemos ver o tal filme. Na nossa sessão, haveria poucas pessoas, que poderiam ser contadas nos dedos de uma mão, então não nos importaríamos de conversar o filme todo. Eu comeria pipoca e chocolate o filme todo, e você se perguntaria como eu consigo não ter “fundo”. Nós riríamos. Depois do filme, iríamos jantar naquele lugar de sempre, e eu me perguntaria se não deixei as coisas irem longe demais. Ficaria relutante de novo e iria embora. Me despedi com um sorriso que deixaria muitas duvidas em você. E… em mim.
Em casa, eu finalmente pegaria o livro e veria aquela letra que só Deus, eu e você éramos capazes de compreender. E veria escrito “Me encontre no parque de novo amanhã, tenho uma surpresa pra você.”
E então, eu não conseguiria dormir à noite, pensando no que vai acontecer. Ficaria tão confusa e me xingaria por ter me aproximado de você de novo. E, como sempre faço quando me sinto culpada, comeria uma tonelada de sorvete. E então, eu pensaria de novo em porquê diabos eu me permiti sentar naquela mesa da padaria com você… Mas eu sabia a resposta. Sabia o porquê. E agora não tinha mais como ignorar, ou deixar pra lá. Agora, eu tinha a certeza de que era concreto, de que era real, e, que você sentia a mesma coisa, por mais clichê que parecesse."